ELE FEZ MEU RELÓGIO DESACELERAR

ELE FEZ MEU RELÓGIO DESACELERAR
(Manoel Messias)
Parecia que o meu relógio estava diminuindo sua velocidade, um minuto pareciam cinco, mas desde que cheguei ali não conseguia pensar em outra coisa a não ser nessa noite, não queria planejar nada, só queria tirar o maior proveito da noite que por vezes, me parecia, também fugaz. Minha ansiedade agitava meu corpo, me deixava inquieto. Entrei no local marcado, ele já estava esperando na mesa, com os braços, aparentemente, batendo na mesa, como que nervoso. Olhou pra mim e sorrio pacientemente, aquilo me atingiu de uma forma imensa, sua imagem na minha frente como que um espelho, sem ser algum retrato jogado por redes sociais, era amedrontador e reconfortante ao mesmo tempo e eu olhando para o meu relógio desacelerado me pedindo mais envolvimento. Alguma coisa em mim estava me deixando estranho, nunca tinha passado por tal experiência, tão novo e tão bom, realmente algo tinha mudado em mim desde o momento que pisei naquele local daquela noite, e só faziam – se quinze minutos era muito. O máximo que consegui fazer foi cumprimentá-lo com um aperto de mão e um quase não dito – Tudo bem ?- que saiu pior que eu imaginei e tanto que ensaiei. Ao contrário de quando cheguei agora o relógio aumentava sua velocidade, quando vi já tinham se passado uma hora, duas, com tanta coisa ainda pra conversarmos, falávamos sobre tanta coisa, novos assuntos emergiam e se emendavam sobre tantas ideias. Seu charme só crescia, suas risadas sem motivos, seu olhar sem perspicácia era encantador. Adorava reparar os detalhes de suas feições, meus holofotes não tinham outro foco, mil coisas passavam por minha cabeça, mas mesmo assim não me distanciava da nossa conversa. Reparei todos seus detalhes, o que conseguia notar, toda sua forma de expressão. A noite foi chegando ao fim, nossa despedida foi diferente, nada de aperto de mão, foi um aperto de corpos, um abraço acolhedor, me senti uma criança, de uma carência incabível, mais uma vez me senti estranho, perdido, mas acolhido. Chegou a hora de ir embora, ele nem imaginava como gostaria de continuar ali, no caminho de volta não parei um segundo de pensar em toda essa noite, estava me sentindo bem, porém não sabia o que esperar disso tudo, não consegui compreender tal sentimento. Quando cheguei em casa fui tomar um banho, pensar um pouco, deitei na cama querendo saber o que ele achou disso tudo, adormeci pensando nele, sonhei com seu abraço. E o meu relógio parou.
— Manoel Messias Quando escutar Breath of life lembrarei de ti
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