SANTÍSSIMA TRINDADE

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Manoel Messias da Silva-4º Teologia)

Sobre a identidade essencial do Pai, do Filho e do Espírito Santo, nós, débeis e rudes, sem usarmos de cavilações e não para simplesmente nos opormos a argumentos humanos, mas com testemunhos extraídos da Escritura e acessíveis a todos, já dissertamos, ao menos parcialmente, de maneira inteligível aos fiéis e apta para refutar os infiéis levianos (Santo Epifânio-403).

 

O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã (CIC[1] 234). Na vida da Igreja tudo começa e acaba com a invocação às três divinas Pessoas. Por tanto, a Trindade é Una e as pessoas divinas são realmente distintas entre si e são relativas umas às outras. “Deus é único, mas não solitário”. É lógico que assim seja, porque a própria Igreja é uma comunhão de vida com o Pai o Filho e o Espírito Santo; e toda a Criação tem a sua origem e o seu fim na Santíssima Trindade. Compreende-se assim que a oração e o gesto mais repetido pela Igreja seja o Sinal da Cruz. Domingo de Pentecostes recebemos o Espírito Santo, pois a sua Missão, enviado pelo Pai em nome do Filho e pelo Filho “de junto do Pai” (Jo 15,26), revela que o Espírito é com eles o mesmo Deus único (CIC 263). Jesus começa por dizer aos discípulos que há muitas outras coisas que eles não podem compreender de momento (vers. 12). Será o “Espírito da verdade” que guiará os discípulos para a verdade, que comunicará tudo o que ouvir a Jesus e que interpretará o que está para vir (Jo 16, 13).

Celebramos hoje a solenidade da Santíssima Trindade e as leituras retocam a liturgia: Deus Pai e Filho e Espírito Santo, Festa de Deus, do centro da nossa fé. Quando se pensa na Trindade, vem em mente o aspecto do mistério: são Três e são Um, um só Deus em três Pessoas. Na realidade, Deus não pode ser outro que um mistério para nós na sua grandeza e, todavia, Ele se revelou. Podemos conhecê-Lo no Seu Filho e, assim também, conhecer o Pai e o Espírito Santo. Em Romanos cap. 5 O Espírito Santo não é autônomo; por isso a sua ação está em perfeita coerência e continuidade com a obra de Jesus. «Anunciará o que está para vir» não significa uma previsão dos acontecimentos futuros, mas antes o sentido do futuro e a nova ordem das coisas resultante da obra redentora de Jesus.

O trecho de Provérbios 8, 22-31, apresenta a sabedoria divina poeticamente personificada. É ela que se apresenta a si mesma, como um «arquiteto» (v. 30) ao lado de Deus, que Lhe fornece o projeto da maravilhosa obra da criação do universo. Os Padres da Igreja, baseados na apresentação que o Novo Testamento faz de Cristo como Sabedoria de Deus (Mt 11, 19; Lc 11, 49; cf. Col 1, 16-17; Jo 1, 1-3; 6, 35, etc.), vêem nesta passagem de provérbios uma alusão à Segunda Pessoa da SS. Trindade, o Verbo de Deus. De fato, a Sabedoria é apresentada como uma pessoa distinta, mas sem que seja uma criatura, pois existe desde sempre, antes da criação (vv. 24-26). Já dizia Santo Hilário de Poitiers “Ignora a sabedoria quem a Deus ignora”. E com a sabedoria é o Cristo, está fora da sabedoria quem ignora o Cristo. E Cristo não é apenas homem, pois se fosse, porque João Batista dava testemunho dizendo “aquele que vem após mim foi feito antes de mim porque existia antes de mim (Jo 1, 30), ao passo que Cristo, como homem, tendo nascido depois de João, não poderia ser-lhe anterior, só o podendo ser enquanto Deus? (Novaciano -257).

Em Jesus o ser humano encontra o filho único e encarnado do Pai e o mediador escatológico da salvação. Nele Deus faz a si mesmo imediatamente presente. No contexto da história de Jesus, Deus revela o Espírito do Pai e do filho como o dom escatológico em que Ele oferece a si mesmo. Desse modo, tampouco o Espírito é uma força ou uma eficácia apessoal de Deus ou uma simples descrição metafórica da ação divina. O Espírito, que explora as profundezas da divindade (1Cor 2,10), se situa na unidade e na diferença da relação com o Pai.

[1] Catecismo da Igreja Católica

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