MARIA, MÃE DE DEUS, MORREU OU ADORMECEU? (MANOEL MESSIAS)

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O dogma da Assunção de Maria, proclamado em 1950, não dirimiu a questão, afirmando que “a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”

Grande são os questionamentos entre teólogos e cristãos católicos em torno da “Assunção” de Nossa Senhora, tal expressão vem da palavra latina que significa “levantar”. Antes de qualquer insatisfação, vos lembro: foi Deus que escolheu Maria como Mãe do Vivente, do Primogênito dentre os mortos. Então não é a minha e nem a sua mãe a escolhida, mas sim Maria e usando da razão eu quebraria os meus dentes caso minha boca fizesse ofensas a esta mulher. Costumo dizer “como poderia a Mãe Daquele que vive para sempre não ter parte na sua ressurreição, uma vez que participou da sua vida e da sua morte?”. Assim diz também o padre André: “Como poderia permanecer no sono da morte aquela que foi feita a aurora da Salvação, aquela que presenciou o raiar do novo dia e foi iluminada pela luz que não se apaga?!” E surgem outras questões a favor da assunção: “Como poderia jazer na sombra da morte, e ser aprisionada num túmulo, aquela que acolheu no seu seio o autor da vida e o vencedor da morte?”; e contra: “Se Jesus morreu, porque Maria iria ser privada da morte” e etc.. Mas afinal, Maria morreu de fato? Há, entre os católicos, controvérsias, porém a falta de conhecimento e aprofundamento são os fatores dessa controvérsia.

Aos que defendem que Maria foi elevada de corpo e alma, argumentam com sua “conceição imaculada”. Se a morte é conseqüência do pecado, Maria, sem pecado e sem sombra de pecado, não podia morrer. Maria é o modelo de todos os resgatados pelo Cristo através de sua morte e ressurreição. Aos que defendem que Maria morreu, elevam os seus argumentos aos méritos de Jesus. Tendo, ela se unido a Ele no Calvário, ter-se-ia, sem sombra de dúvida configurada a Ele na morte e na ressurreição. Uma mulher, sem pecado, mas que passou por dores, angústias, desconfortos, perseguição, também teria passado pela prova maior: a morte corporal. Sem que com isso se afirme que seu corpo sofreu a decomposição.

Há duas tradições: A primeira diz que o Apóstolo João teria migrado para Éfeso. Maria teria findado seus dias nesse lugar (não há documentos históricos que favoreçam essa tradição e as escavações arqueológicas). A segunda tradição faz Maria terminar sua jornada terrena em Jerusalém, no Monte Sion e ser sepultada. O texto passa a contar esses últimos dias, inclusive sua assunção ao céu. Se Maria concebeu Jesus aos 14 anos, deu à luz aos 15 (idade normal naquele tempo na Ásia Menor para casar) e Jesus morreu em torno dos 33 anos, Maria teria 50 anos ao morrer. Sabe-se que era a idade média de vida das mulheres naquele tempo e naquela região.

 

A última referência bíblica a respeito de Maria está nos Atos, ainda quando os Apóstolos estavam no Cenáculo, depois da Ascensão de Jesus: “Todos permaneciam unânimes na oração com algumas mulheres, Maria, Mãe de Jesus, e seus irmãos” (At 1,14).

Mas muito nos ajudam os padres do deserto: Basta citar são Tiago de Sarug (521), segundo o qual quando para Maria chegou “o tempo de caminhar pela via de todas as gerações”, ou seja, a via da morte, “o coro dos doze apóstolos” reuniu-se para enterrar “o corpo virginal da Bem-aventurada” (Discurso sobre a sepultura da santa Mãe de Deus, 87-99 em C. VONA, Lateranum 19 [1953], 188). São Modesto de Jerusalém (634), depois de ter falado amplamente da “beatíssima dormida da gloriosíssima Mãe de Deus”, conclui o seu “elogio” exaltando a intervenção prodigiosa de Cristo que “a ressuscitou do sepulcro” para a receber consigo na glória (Enc, in dormitionem Deiparae semperque Virginis Mariae, nn. 7 e 14; PG 86 bis 3293; 3311).

São João Damasceno (704), por sua vez, pergunta: “Como é possível que aquela que no parto ultrapassou todos os limites da natureza, agora se submeta às leis desta e seu corpo imaculado se sujeite à morte?“ E responde: “Certamente era necessário que a parte mortal fosse deposta para se revestir de imortalidade, porque nem o Senhor da natureza rejeitou a experiência da morte. Com efeito, Ele morre segundo a carne e com a morte destrói a morte, à corrupção concede a incorruptilidade e o morrer faz d’Ele nascente da ressurreição” (Panegírico sobre a dormida da Mãe de Deus, 10: SC 80,107).

É verdade que na Revelação a morte se apresenta como castigo do pecado. Todavia, o fato de a igreja proclamar Maria liberta do pecado original por singular privilégio divino não induz a concluir que Ela recebeu também a imortalidade corporal. A mãe não é superior ao Filho, que assumiu a morte, dando-lhe novo significado e transformando-a em instrumento de salvação. Empenhada na obra redentora e associada à oferta salvífica de Cristo, Maria pôde compartilhar o sofrimento e a morte em vista da redenção da humanidade. Também para Ela vale quanto Severo de Antioquia afirma a propósito de Cristo: “Sem uma morte preliminar, como poderia ter lugar a ressurreição?” (Antijulianistica, Beirute 1931, 194 s.). Para ser partícipe da ressurreição de Cristo Maria devia compartilhar antes de mais a Sua morte, portanto ELA MORREU.

NÃO FIQUEM TRISTES, POIS DORMISSÃO ESTÁ NA MESMA RAIZ QUE MORTE (grego), LOGO ESTAVAMOS FALANDO DA MESMA COISA;

MAE DE DEUS ROGAI POR NÓS.

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